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Me engana que eu gosto

19 19UTC Março 19UTC 2008

O lance de ter um blog pra escrever é quase como um plano trimestral de academia. Nos comprometemos com uma nota preta para coagir a consciência , acordarmos cedo, remelentos e vamos malharrrr. No caso do blog, eu to vendo que um espaço em branco pode ser mais poderoso que uma nota preta.

Mas copy/paste não sacia. Então vamos logo ao devaneio.

Não tenho nada contra reality show e apesar de ser suspeito ao me por a favor (cá entre nós é um dinheiro bom para a publicidade), ñ consigo ser imparcial quando a coisa desanda para o “enganate show”. No BBB, a coisa me parece tão fora do que se propõe, um programa orientado pelo voto da audiência, que fico pasmo pela falta de críticas a esse respeito.

A meu ver, a proposta é furada logo de cara pelo simples fato de não haver auditoria de votos. Se até as cartas do Caminhão do Faustão eram conferidas por um auditor, por que a emissora não fez o mesmo para justificar os 46 milhões de votos (e crescendo e batendo recordes por edição) que divulga? A audiéncia Net do programa ñ caiu drásticamente desde a sua primeira edição, mas caiu, e ainda assim o total de votos crescem sem parar. É mais gente com acesso a web? Pode ser, mas mantenho a pergunta: pq a TV Globo merece tanta confiança a ponto de não comprovar seus números?

Tem gente que sacrifica o cachorro amado que tem em casa pq deu a louca no bicho e ele atacou o próprio dono. Eu jamais confiaria novamente numa diarista que me roubou uma vez. E por isso, quando vejo aquele detector patético de mentira no confessionário que só mesmo um imbecil pode acreditar que seja legítimo, passo a ter certeza de que estou sendo enganado durante todo o resto do programa e principalmente nos números.

O BBB é o que um amigo meu costuma chamar o J. Nacional, só que agora pra valer: de novelinha da vida real.

Acho que nem precisava entrar na equação, mas foda-se. O anunciante, quando compra uma inserção de 30″ ou o próprio patrocínio de um programa compra, no final das contas, pessoas. Quanto mais pessoas pelo menor preço, mais rentável o custo da sua comunicação. Logo, quanto maior a audiência, maior a atratividade do programa e consequentemente maior o faturamento da emissora. Assim sendo e infelizmente, quanto mais pancadaria, intrigas, sacanagem e safadesa, maior o faturamento.

Para um progama que a cada edição perde mais audiência e anunciantes, intrigas arrumadas, paredões forjados e Bigfones direcionados são condições de existência.

O lance é o seguinte: o problema está na manipulação, nos arranjos etc, mas fundamentalmente no excesso de confiança do telespectador e dos críticos da mídia na produçao do programa e na prøpria emissora.

Sabe, no fundo esse é só um exemplo. Eu confio mais no reabilitado de crack que no painél do Fantástico e esse programa lazarento.

No começo eu criticava o BBB por deturpar o sentido de “Grande Irmão” de George Orwell. Hoje, o sentido é pleno.

Mas pra dar risada: